sábado, 4 de setembro de 2010

O Grande Silêncio

Finalmente chegou ao fim o processo Casa Pia (parte 1).
É ensurdecedora a onda de choque provocada pela leitura do acórdão, mas nunca tão ensurdecedor como o silêncio que ano após anos, e não só na casa Pia, este tipo de crimes foi alvo. Por vergonha. Por medo. Até por uma certa cultura de permissividade face a este tipo de actos, que em surdina durante gerações eram quaseencarados como uma infeliz (a)normalidade.

O grande Silêncio acabou.

Quero acreditar que quase 2 anos de investigação, mais 6 de julgamento são capazes de produzir substancia suficiente para as condenações anunciadas.
Por parte dos condenados há a indignação, que por vezes me parece mais por terem sido apenas eles, e não tantos outros os condenados. O próprio Carlos Cruz, numa das suas intervenções de indignação deixa escapar que se espanta por terem chegado a estar 18 pessoas envolvidas no caso da casa de Elvas e no fim só ficar ele.

É absurdo o tempo de antena que se dá a Carlos Cruz, comunicador profissional toda a sua vida. Quero antes confiar na investigação, nos vários profissionais de justiça envolvidos durante 8 anos neste processo. Por mais emotivas e convictas que possam ser as declarações de Carlos Cruz, não consigo esquecer as suas fabulosas performances em programas como o "1, 2, 3" em que num fantástico jogo psicológico manipulava concorrentes e audiência num jogo de ilusões.

Não se tratou de um julgamento sumário, mas sim 6 anos de trabalho, não com um profissional que se pode enganar, mas sim vários, sucessivos, contínuos. Só lamento os culpados que ficaram de fora, por um ou outro motivo.

Mas a grande vitória, foi a de romper o grande silêncio, das vitimas de ontem e as de amanhã, que sabem que este tipo de crimes não é normal, e não pode ficar impune.
A grande vitória, é a de tornar as noites menos tranquilas aos abusadores que impunemente cometiam este tipo de crimes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Levemente

Que bom escutar que continua a fazer-se boa música Portuguesa. Com boa melodia, equilibrada, adequando voz, à musica e às letras.
O novo álbum de Lara Li, regressando em parceria com Miguel Braga, é um grande disco. Ouve-se do inicio ao fim, com um equilíbrio difícil de alcançar nos tempos que correm.
O disco é feito de algumas adaptações de repertório nacional (Um homem na cidade, Estrela da tarde, Maio maduro Maio, Sol de Inverno), e cinco originais com o toque de Miguel Braga. há ainda uma versão em Português de Smile, na minha opinião talvez a canção menos conseguida deste álbum, talvez vez por ser grande fã do original.

O disco traduz um harmonia permanente em todas as músicas, conseguindo um casamento perfeito entre a melodia e letra, e a voz imutável de Lara Li sempre no tom, cantando realmente, algo que já raramente escutamos seja em Português, seja noutras línguas.
Destaco em particular "Vai à procura" onde sobressai toda a influência Jazz de Miguel Braga, "O céu quando chora" música de uma inocência quase infantil cruzando sabores de musica brasileira, africana e Portuguesa. Neste trabalho conseguem sentir-se todas as estações o ano, levemente, sem nunca perder a consistência do todo.

Todas as versões estão muito bem conseguidas, sendo "Maio, maduro Maio", talvez a mais surpreendente, por conseguir reinventar uma música que no seu original nunca me conseguiu atrair.

O disco vale pelo todo coerente que consegue ser, pelos bons originais que revela, e sobretudo pela magistral voz de Lara Li, interprete maior que não temos sabido apreciar devidamente.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

As ciclovias e a mobilidade em Lisboa

A introdução de ciclovias na cidade de Lisboa além do objectivo directo de criar uma rede ciclável, tem como  consequência indirecta relançar o tema da mobilidade e acessibilidade pedonal. É impressionante a proporção de utilizadores das ciclovias que por lá andam… sem bicicleta. Desde a mãe ou pai que passeiam o seu carrinho de bebé aproveitando o piso estável e plano, até ao idoso que pelos mesmos motivos procura refugio da calçada Portuguesa esburacada e irregular.

Gosto da calçada Portuguesa, e considero que é um símbolo caracterizador da nossa identidade cultural. No entanto, e não havendo recursos para a sua dispendiosa manutenção, defendo que a mesma deva ser reservada a zonas históricas e turísticas, e que nessas zonas ela seja efectivamente preservada e com a manutenção adequada. Nas restantes zonas, e a favor da mobilidade dos que gostam de andar em Lisboa sem ser de carro, promova-se a substituição da calçada Portuguesa por soluções de pavimento menos dispendiosas para o erário público. Os nossos bolsos, e os nossos pés agradecem.

E assim falou o Feiticeiro.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Prémio de consolação

O famoso Polvo que antecipou todos os resultados dos jogos do campeonato do mundo de Futebol, prevê a Espanha como próxima Campeã mundial de futebol. Sendo que nenhuma das selecções me entusiasma, e se tivesse que torcer por alguma, seria pela selecção cor de laranja (sempre está mais próximo da minha preferência partidária), resta-me como consolo, caso de facto seja a Espanha a selecção vitoriosa o facto de a selecção na final , não ser propriamente a selecção Espanhola, mas antes a selecção da Catalunha. Por outro lado, sempre poderíamos dizer que fomos eliminados pela equipa campeã mundial…

sábado, 3 de julho de 2010

Insustentável - palavra oficial para a silly season 2010

Cavaco Silva continua a ter a rara capacidade de marcar a agenda como poucos o fazem em Portugal. Fala pouco, mas quando fala as suas palavras ecoam. Talvez por falta de capacidade de outras tantas personalidades de gerarem conteúdos, o certo é as suas palavras tornam-se moda. E para a Silly season 2010, que como todos sabem começa no 10 de Junho a palavra eleita foi: INSUSTENTÁVEL. Não há quem não a queira utilizar, uns para discordarem, outros para concordar, muitos outros em replica sobre um outro sem número de situações. Até Armando Vara, para justificar a demissão do BCP, evoca as palavras de Cavaco Silva: Insustentável.

Da minha parte, considero que era insustentável manter em silêncio este Feiticeiro que há em mim.

Estou de volta. Espero.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

VOU VOTAR MEP – MOVIMENTO ESPERANÇA PORTUGAL

DECLARAÇÃO DE VOTO

O meu voto no MEP ficou decidido apenas nesta semana. E será um voto positivo, não será um voto de puro protesto, nem um voto no mal menor, ou na alternativa viável. O meu voto no MEP é um voto de convicção.

Facto: da votação de dia 27, sairá um governo PS ou PSD, provavelmente um governo minoritário, representando a vitória do PS um voto de continuidade e a vitória do PSD um voto de uma certa mudança. Mas a mudança mais significativa reside na fragmentação de um certo bloco central com peso excessivo, aumentando a pluralidade do parlamento, redistribuindo poderes, dando novas vozes à Politica, mais independentes do sistema instalado. É nesta mudança que aposto. Porque é na falta desta mudança alternativa que a desilusão com a política se instala, e a abstenção se constrói. Votar Partido Socialista é ser masoquista, votar PSD é votar na mudança pelo mal menor. À esquerda, a alternativa é radical, ou ultrapassada, e em ambos os casos patética. O CDS/PP funciona como refúgio de coerência da ala direita do PSD. Não voto em escolhas de mal menor. Esse é o primeiro passo para a desilusão política. Voto em convicção, voto MEP.

É preciso dar voz a projectos sérios que renovem a forma de fazer política. Por isso faz sentido promover o MEP, votar MEP.

O Voto no MEP é um voto positivo, porque é um voto nas ideias e ideais do seu programa, na equipa que as defende, na esperança que traz para a mudança do modo de fazer política. Mudança porque melhor é possível.

Se o MEP tiver a mesma votação que teve nas eleições europeias conseguirá eleger 1 a 2 deputados ao parlamento. Está ao nosso alcance dar voz ao MEP.

A equipa do MEP é feita de pessoas que trazem experiência acumulada nas mais diversas áreas de intervenção social em particular do voluntariado e ONG. Por isso trazem consigo uma característica fundamental para o exercício da politica no seu sentido mais nobre: Espirito de missão.

O Programa do MEP é feito de ideais mas também de ideias concretas, por vezes com um grau de concretização que não tem par em nenhum outro programa dos partidos com representação parlamentar. O MEP tem propostas reais de que conhece bem a realidade Portuguesa.

Destaco os tópicos do programa do MEP, que poderão ver em detalhe em www.mep.pt

Visitem o site e vejam as iniciativas de campanha verdadeiramente inovadoras deste movimento que merece ter voz no parlamento.

Capítulo 1 - Uma nova Agenda Social

Capítulo 2 - Uma política ao serviço das famílias

Capítulo 3 - Plataformas para uma década

Capítulo 4 - Um tempo de realismo em nome do futuro

Capitulo 5 - Criar mais riqueza para todos

Capítulo 6 - Cuidar da sustentabilidade ambiental

Capítulo 7 - A nossa identidade: cuidar da memória e preparar a herança para o futuro

Capítulo 8 - Por uma sociedade civil mais forte e participativa

Capítulo9 - O desafio de um Estado eficiente, servidor, regulador e pessoa de bem

Capítulo 10 - Portugal cosmopolita e aberto ao mundo


Dia 27 Vota MEP. Porque Melhor é possivel.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Quem quer ser masoquista, vota partido socialista

Como é possível alguém, seja de esquerda, centro ou direita ponderar ainda votar PS? Será possível que no barulho da campanha eleitoral a memória dos últimos 4 anos se tenha apagado? Será que de repente deixámos de ter meio milhão de desempregados e eu ainda não sei? Ou esquecer que a divida externa duplicou nos últimos 4 anos? Ou que a divida Publica já valia 108% do PIB no final de 2008? Infelizmente o país que temos continua adormecido, e pensa que esta disputa eleitoral é um prolongamento do campeonato de futebol, em que cada um defende o seu clube, só porque sim.
Votar PS nestas Eleições é um acto de puro masoquismo que só pode ser entendido à luz do descrédito total em que cada vez mais as instituições deste regime se afundam. Porque infelizmente, os partidos que temos eleito são o espelho de quem os elege.
Lanço o desafio: Votem diferente. Votem nos pequenos partidos sem representação parlamentar. Façam um teste na Bussola Eleitoral e descubram que nos pequenos novos partidos (MEP, MMS, PTP, PPV,...), e nos mais antigos (PCTP/MRPP, MPT,...) encontramos mais proximidade que nos tipos do costume. Por favor votem dia 27, mas não votem PS.